Querido pastor, por Andressa Matos

Querido Pastor,

Venho através desta, lhe relatar minhas indagações e dúvidas. Expor minhas preocupações acerca das necessidades cotidianas de cada ovelha do seu rebanho, sendo uma dessas ovelhas eu mesma, por alguns anos. Tenho observado seu empenho na construção de espaços, os quais me beneficiem um conforto melhor em qualquer evento promovido pelo nosso ministério. Pastor sou grata por se preocupar com meu conforto físico. Anteriormente nosso templo tinha bancos “duros”, os quais nos cansavam facilmente em ter que ficar por três horas sentados, hoje nós temos maravilhosas poltronas almofadadas. Quando havia grande número de pessoas no templo o calor era insuportável por tamanha aglomeração, mas hoje temos ar-condicionado. Antes tínhamos que alugar um móvel para deslocar toda caravana congregacional, hoje têm nosso ônibus e uma Van-bus. Mas pastor, e as demais necessidades das ovelhas?

Hoje pela manhã antes de começar a digitar essas palavras, estava eu refletindo acerca do que é ser um pastor e quais são suas funções. EmProvérbios 27:23 diz: “Esforce-se para saber bem como suas ovelhas estão, dê cuidadosa atenção aos seus rebanhos,”. Um pastor é alguém que se dedica a domesticar, alimentar e guardar de ataques de animais vorazes.

“Domesticar” me dá o seguinte significado: educar [o animal selvagem] de modo que possa conviver com o homem, tornar (-se) educado para o convívio social; civilizar (-se). Então, isso me traz a compreensão de que Deus o colocou apto a me ensinar as escrituras, no intuito de que eu passe pelo molde de Deus, para que Deus arranque de mim toda ignorância, e posteriormente eu mesma possa transmitir Cristo através das minhas atitudes. E após eu me tornar um ser civilizado eu espalhe o evangelho genuíno de Cristo aos perdidos. Mas pastor como posso aprender a exatidão das escrituras, humildade, longanimidade, mansidão, sabedoria e as demais virtudes citadas na Bíblia, ouvindo sermões que giram em torno de ganho financeiro? (Mateus 6:33). Quero lhe colocar a par de que o aprendizado a mim concedido acerca das escrituras tem sido doado por intermédio de amigos teólogos nas redes sociais e livros de sábios pastores, sendo que a maioria deles já morreram.

“Alimentar” é Prover algo (corpo e mente) das suas necessidades essenciais que gerem a sua satisfação de completo. Fornecer alguma coisa, doar algo a alguém. Então isso me faz entender que o primeiro alimento que o senhor precisa me prover é o alimento espiritual. Alimento que proporciona correção. Alimento que me traga saciedade, sem necessidade de buscar em outros campos algo que alimente meu ego. Aquele alimento que demora dias e horas para ser amaciado e entendido pelo meu intelecto ignorante. Pastor o alimento espiritual tem alguma conexão com pulos, gritarias, excesso de entretenimento promovido por sua diretoria com o fim de me agradar? Tenho que te contar algumas coisas. A maioria as pessoas que fazem parte do seu rebanho estão secas. Estão sendo alimentadas com um alimento bichado e superficial, que sacia a carne e não traz nenhum arrependimento e dor com os pecados próprios. Ahhh e em relação ao alimento carnal, sabe aquele almoço delicioso que o senhor saboreia na melhor churrascaria da cidade aos domingos após a EBD?! Então… Muitos de seus membros nem tem o que comer em casa, estão desempregados e desesperados. Vivem das míseras doações de vizinhos e parentes. Há dias que nem farinha se tem para dar aos filhos para comerem. Então pastor o senhor tem matado a fome de suas ovelhas?

“Guardar” significa vigiar, proteger; abrigar. Pastor o senhor tem se preocupado tanto em vigiar minhas vestes, meu salto alto e minha maquiagem, mas tem se esquecido de vigiar minha alma do vil tentador. O senhor poderia ter usado essa vigilância quando trouxe aquele pregador de fora que só pregou heresias, e no final do culto amarrou o lençol cheio de dinheiro e foi embora. O senhor não está me protegendo das falsas doutrinas e falsos ensinos. Os sermões que estão sendo propagados no púlpito de sua congregação são errôneos e anti-biblicos, fora que quem os prega são diáconos, presbíteros e afins que levam uma vida desregrada e deturpada. Mas é uma pena, pois o senhor prefere acobertar e esconder debaixo do tapete todos esses errinhos (adultério, fornicação e roubalheira).  E o abrigo das suas ovelhas? Enquanto o senhor dorme debaixo de seu confortável teto, construído com as ofertas e dízimos desses humildes fiéis, há pessoas na sua congregação perdendo o sono, pois o teto foi arremessado ao longe pelo vento e a água da chuva inundou suas residências. Estão infectados com alguma bactéria por causa da grande precariedade de suas casas.

Não devo jamais me esquecer de dizer que enquanto o senhor dorme até o meio-dia, vários membros estão trabalhando suado desde as seis da manhã. E mesmo depois de um dia cansativo não medem esforços para se deslocar ao culto de pé (Faça chuva ou sol). E o Senhor? Só anda de carro importado para todo canto que vai.

Pastor eu sou um ninguém para lhe dar conselhos, mas quero lhe lembrar de um versículo. “Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.” (Filipenses 2:4)

Aguardo ansiosamente sua primeira visita a minha humilde residência.

Com amor,

Andressa Matos

Parábola do homem apaixonado

Vamos imaginar que existe um homem que está prestes a se encontrar com a mulher que ama. Este é um homem honesto, bondoso e está radiante de felicidade. Nem se lembrava de ter algum dia experimentado uma alegria que se comparasse àquela. O amor que este homem sente por aquela mulher é puro e vai muito além da beleza dela ou do que ela pode lhe oferecer. Eles estão noivos. Este homem então entra num diligente ritual que o prepararia para a tão esperada ocasião em que encontraria seu amor. Acorda logo de manhã, afinal previa que o dia seria pequeno. Trata de sua higiene pessoal de uma forma que nunca tratou antes: toma um banho demorado, escova seus dentes até ter certeza de que eles estão tão brancos quanto podem ficar, perfuma-se com o seu melhor aromático e penteia seu próprio cabelo incontáveis vezes até que nenhum fio esteja fora do lugar. Adianta-se até seu guarda-roupa e procura o que tem de melhor para vestir-se. Depois de muito deslizar seu olhar sobre seus conjuntos de roupas, decide que nenhum deles é apropriado o suficiente para a ocasião. Este homem tem um amor incontrolável por aquela mulher e nunca se perdoaria se sua maneira simples de se vestir carregasse a culpa de estragar a magia do encontro deles. O melhor a se fazer era comprar trajes novos. O homem caminha por quase toda a cidade até que finalmente encontra um terno que julga perfeito. Ternos custam caro e o preço deste chega a ser obsceno. No entanto, o homem estava determinado a comprá-lo, afinal, respaldado pelo amor que tinha por sua noiva, nutria a certeza de que todo seu esforço valeria a pena. O homem sai atrás de alguém que lhe fizesse um empréstimo e volta com o valor em espécie, além de uma enorme dívida atenuada pela alta carga de juros que a única pessoa que se dispôs a emprestar-lhe exigiu para que o fizesse. A vendedora, oportunista, ainda oferece um irresistível buquê de rosas e chocolates que, segundo ela, iria surpreender a pessoa amada. O homem decide comprar também, à prazo e em algumas prestações. Depois ele daria um jeito de pagar. O que importava naquele instante era que finalmente ele se sentia pronto para encontrar a tão amada noiva.

O homem olha no relógio. Estava quase na hora e ele não queria se atrasar. Pega um táxi usando seu cartão de crédito e chega ao local indicado. Estava na hora. Estava muito ansioso; o terno no corpo, um bom perfume exalando, dentes branquíssimos, hálito refrescante e o fenomenal buquê de rosas e chocolates nas mãos. Sentia-se muito apresentável. Quando finalmente percebe sua amada, seu sorriso murcha. Diante do que vê não sente mais a mínima vontade de descer do táxi. A mulher que amava estava agarrada ao pescoço de um homem alto e forte, vestido todo de preto, que acariciava-lhe os cabelos dava-lhe carinhosos beijos nos lábios. O homem de preto exibia um pretenso sorriso de triunfo e o mundo daquele noivo traído tinha ruído.

Este homem é Cristo. Ele está apaixonado por nós, a igreja, sua noiva. Nos ama tanto que é capaz de fazer coisas racionalmente absurdas para que possamos estar cientes de Seu amor. Se prepara, fica ansioso e quando finalmente coloca Seus santos olhos sobre nós, pega-nos abraçados com o Diabo. A sua própria noiva, uma adúltera. Coloque-se no lugar dEle. Você gostaria de ser traído?

Para todo aquele que NELE crê. (um texto sobre os zombadores de Deus)

Por que Deus não desce fogo sobre os blasfemos como fez em Sodoma e Gomorra, ou manda ursas devorarem aqueles que tocam no ungido do senhor ou disseminam chuvas de gafanhotos sobre a lavoura desse povo pervertido que satiriza tudo que é sagrado assim como fez no Velho Testamento? Deus, por um acaso mudou? Acovardou-se? Resolveu se esconder atrás de uma grande nuvem constrangido com todas as ofensas aporcalhadas que a boca dos ímpios proferem contra Ele.

Tenho certeza que não. Não o Deus que eu conheço, que também não é o Deus de todo mundo, bem como todo mundo diz. E vocês até poderão apontar o dedo para mim e me acusarem de colocar cercas ao grandioso amor divino, mas o fato é que minha Bíblia me diz categoricamente que Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito PARA TODO AQUELE QUE NELE CRER, (e somente para todo aquele que nEle crer) não pereça, mas tenha a vida eterna. E posso apostar minhas fichas que se sua Bíblia é digna de ser levada a sério também está dizendo exatamente isso lá no Evangelho de João, capítulo 3 e versículo 16. Aceitem a verdade: Deus não é um Deus de todo mundo.

E o que está acontecendo nos dias de hoje é que esse Deus, que é exclusivo, está olhando um monte de crianças depravadas, que não sabem exatamente onde estão, quem realmente são ou o que estão dizendo. Vendo crianças tão frágeis e fadadas à condenação eterna, atolarem-se em sua própria prepotência achando que podem escarnecer de Deus sem saber que só estão caminhando a passos largos para o castigo que é muito pior que qualquer fogo dos céus, gafanhotos assolando plantações ou ursas devoradoras.

O Deus injusto a quem sirvo

É quase obrigação de minha parte agradecer todos os dias às injustiças de meu Deus, pois é nelas que me apoio para viver. A esse Deus injusto eu aprendi amar, porque, se podemos dizer que as misericórdias dEle se renovam a cada dia, com certeza podemos falar o mesmo das vitais injustiças que são traços da personalidade perfeita que O compõe.

Salomão pediu-nos em Eclesiastes¹ para que não fôssemos excessivamente justos e finalmente eu entendi o porquê. A resposta é por que se exagerássemos num senso de justiça nunca poderíamos  entender as injustiças que salvam e perdoam quem merece ser punido. Nunca enxergaríamos a perfeição que está na injustiça de um pai desprezado receber de volta um filho pródigo que tirou dele a herança ainda em vida, nem contemplaríamos com admiração a injustiça de um ladrão arrependido segundos antes de sua morte de cruz ser perdoado e garantir sua vaga no céu dos” justos” ou sequer aceitaríamos o ato de alguém divinamente justo que foi crucificado para nos salvar, embora não tivesse um pecado que justificasse sua condenação.

Agradeça também pelas injustiças de Deus. Elas são as causas de não sermos consumidos, a gente só não sabia que pra Bíblia essas misericórdias e injustiças são exatamente a mesma coisa.  Ponha uma coisa na cabeça: nem eu, nem você somos merecedores. Louvadas sejam as injustiças de Deus!

¹Eclesiastes 7:16

Quer carnaval?

É chegada as vésperas de um período anual no qual os demônios menos veem barreiras à sua influência. No período de festas que antecede a data católica da simbólica quarta feira de cinzas, nota-se extremado despudor latente nas vontades de grande parte das pessoas interessadas em valer-se de toda uma carga de más práticas, lascívia, embriaguez, indisciplina, desordem e demais atos inconvenientes. Metaforicamente é como se o próprio diabo trouxesse o inferno para a superfície. Não o inferno flamejante, sepulcral e torturante tal como é, mas o inferno desenhado em práticas que são naturais de demônios e seus seguidores.

Faz-se necessário que o cristão conheça, de fato, o que é o Carnaval para que não venha a ser seduzido e deixar-se enganar, afinal sabemos muito bem da premissa de que a verdade liberta. Muitos elementos o cercam, nenhum deles pertinentes aos olhos do Pai. O nome Carnaval possui ainda uma neblina que encobre sua verdadeira origem etimológica. Dos nomes aceitáveis podemos citar a expressão carrum navalis usada para denominar carros com formatos semelhantes a navios que tinham por propósito levar homens e mulheres nuas durante uma festa de adoração à Saturno, o deus da agricultura romano, mas também podemos incluir outras versões mais difundidas como carnis levale cujo significado é “retirar a carne”, carne vale – “adeus à carne” – ou carne levamen – “supressão da carne”. Estes passaram a fazer referência ao carnaval quando a Igreja Católica interviu na festa original pagã. Ela tinha por objetivo de torná-la mais aceitável passando tratar este como o período em que “tudo se podia” e motivar as pessoas a cometerem seus excessos antes que viesse o período de jejum a qual conhecemos como quaresma.

Festejar o carnaval não é um louvor à cultura brasileira, pois a festa nem mesmo é natural de nossas terras. Há registros de que as primeiras manifestações carnavalescas datam do período babilônico, passando por Itália, Grécia, França, Holanda, Japão e enfim Brasil. No entanto, embora travestido em certos lugares, o carnaval sempre apontava para práticas idólatras. Na Babilônia, idolatrava-se o deus Marduk nos templos a que lhe eram dedicados, em Roma fazia-se o mesmo a Saturno e Baco, deus do vinho e dos prazeres mundanos, mas nos tempos modernos percebemos uma idolatria latente ao corpo humano, aos prazeres carnais e aos vários demônios cujos louvores com músicas e danças deturpadas recebem de bom grado.

Numa perspectiva cristã podemos facilmente notar uma tentativa de inversão de poder do homem para com Deus, buscando ele próprio sair das santas amarras que tem por objetivo livrá-lo do pecado e de suas consequências. Durante a festa o homem quer tomar para si a independência, fazer o que bem entender na hora que quiser, não importando mais os valores morais, o respeito ao próximo e o zelo pela moral e bons costumes. O Pai zela por nós. Abomina a festa porque ela é simplesmente uma grande fábrica de gravidezes indesejadas, relacionamentos rompidos, doenças venéreas,  dependências alcóolicas e químicas. Portanto sejamos sábios. Tenhamos em mente para qual ambiente estamos indo quando decidimo-nos por ir ao carnaval, mesmo que seja simplesmente para ver. Por que nunca é demais citar a advertência “fugi da aparência do mal”.

Je ne suis pas Charlie

Eu não sou Charlie Hedbo. E sabe porque não? Não é porque estou num nível tal de intolerância que me faz concordar quando dizem “eles mereciam, quem mandou brincar com coisas sagradas”. A resposta óbvia para cristãos com esse tipo de argumento está em João 18:10-11, no texto onde Jesus repreende João por pagar o mal com o mal, sendo um perfeito feitor do código Hamurabi.

Eu não sou Charlie Hedbo porque não posso levar como heróis pessoas que escoraram numa muleta chamada liberdade de expressão para insultar, desrespeitar e invadir o espaço alheio praticando formas absurdas de ofensas. E os que os defendem-nos são certamente aqueles que sairiam no braço com quem lhe botasse um apelido ridículo ou quem trata qualquer recusa de aceitar as imposições “gayzistas” modernas como homofóbicos. Nesse caso, com episódio lastimável, a pimenta dos olhos dos outros está ardendo nos próprios. E muito.

"Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos" At. 11:26